Maioridade penal, leia, reflita e pense antes de opinar!
Dia desses em meio à correria do trabalho recebi uma ligação inusitada com código de área 51. Pensei logo nos amigos e conhecidos do Rio Grande do Sul, mas pra minha surpresa, era o Juan!
Juan é uma rapaz que hoje tem 18 anos que conhecemos através do Projeto Superação dentro da Fundação CASA, antiga FEBEM, em São José dos Campos. A história dele é longa, mas é parecida com a sina de quase todos os menores lá dentro... Quando o conhecemos era a terceira internação dele lá dentro. No próximo deslize ele estaria com 18 anos e seria preso em algum presídio por aí, mas graças a Deus a história dele está sendo diferente.
Essa semana o governador de São Paulo Geraldo Alckmin fez uma declaração muito infeliz de reduzir a maioridade penal após um rapaz de 17 anos confessar um assassinato em São Paulo um dia antes de completar 18 anos. Atrás dele uma enchurrada de pessoas tecem seus comentários, a maioria apoiando, infelizmente.
Antes de darmos nossa opinião em qualquer assunto é bom lermos, estudarmos e então dizer o que pensamos, principalmente quando o assunto é mais sério. Nesse caso de maioridade penal, sugiro as entrevistas do atual ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2013/04/reducao-da-maioridade-penal-nao-e-viavel-diz-ministro-da-justica.html).
Enfim, o rapaz que me ligou, o Juan, me ligou com um celular com código 51 porque teve uma grande virada na vida dele. Dentro da Fundação CASA, o Projeto Superação propôs uma mudança de pensamento e de vida pra todos os meninos e o Juan aceitou o desafio. Há alguns meses ele saiu de lá e recentemente conseguiu um emprego de eletrecista em Porto Alegre nas obras do estádio do Grêmio, estava frequentando o grupo de oração da Missão IDE em São José dos Campos, retomando uma vida digna que Deus sonhou pra ele.
Uma vez assiti uma outra entrevista do ministro da Justiça, ele disse que a solução para a redução da criminalidade entre jovens e adolescentes no Brasil são investimentos na educação e criação de oportunidades. Pra nós, como cidadãos, mas principalmente como cristãos, não basta irmos atrás da massa dizendo o que todo mundo diz. Só porque um grande político disse não quer dizer que está certo! A paz é fruto da justiça (Isaías 32, 17), e justiça consiste na constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido (Catecismo da Igreja Católica, n. 381). Antes de colocar um menor no presídio, temos que mudar muitas outras coisas na sociedade.
O Juan é prova de que a mudança é possível.
Abraço,
Gil Monteiro
Missão IDE
Não compreendo os teus caminhos...
Em 2012 recebemos um convite pra tocar no Bote Fé de Curitiba. Fiquei honrado pela oportunidade de estar tocando em um evento tão importante na arquidiocese onde cresci e conheci Cristo pela 1ª vez, e também porque pela 1ª vez eu iria tocar num mesmo evento que o Adoração e Vida, onde participei por alguns anos. Banda ensaiada, repertório pronto, ansiedade no coração! Dias antes do evento recebo a notícia de que alguns shows, dentre eles o nosso, precisavam ser cancelados devido a problemas de horários e custos do evento. Confesso que fiquei muito desapontado, eu estava esperando por aquele evento, ...
Um dia depois desse twitt recebi uma ligação do Ministério Adoração e Vida que souberam do cancelamento do nosso show mas me convidavam pra participar do show deles pra cantar a música O céu se abre. Na hora fiquei emocionado pelo convite mas fui me dar conta do que essa participação significava, somente algumas horas antes do evento.
Minha saída do MAV não foi tão fácil. Onde existe convivência de pessoas existem conflitos. Na época eu não conseguia ver que Deus queria multiplicar os ministérios e não dividir. O tempo passou, a amizade se fortificou, Deus trabalhou em cada ministério e foi no último sábado, dia 23 de fevereiro de 2013, que percebi que se não fosse minha saída do Adoração e Vida eu continuaria sendo um menino orgulhoso que gostava de viajar com uma banda maravilhosa. Percebi que um sacrifício que temos que oferecer hoje, que nem sempre compreendemos, um dia será devolvido por Deus como presente quando amadurecermos. Percebi que eu precisava ser convidado pro evento e ser desconvidado do mesmo evento pra que pudesse reencontrar meus irmãos de ministério. Percebi que cantar uma música ao lado deles me ensinou mais do que um show inteiro que eu fizesse sozinho. Percebi que Deus cuida de tudo, mesmo quando não entendemos os seus caminhos.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!
Compaixão
Já estou na Missão IDE faz uns 5 anos. Um dos nossos carismas é a misericórdia. Misericórdia em poucas palavras é ter o coração na miséria. Faz uns 5 meses que estamos trabalhando com alguns menores infratores da Fudanção CASA, antiga FEBEM. Nunca tive uma opinião formada sobre criminosos, sabia que dentro da Igreja existe a Pastoral Carcerária e a Pastoral do Menor que trabalham com esse público. Lembrava também do trecho do evangelho de Mateus onde Jesus disse: "estive preso e vieste me visitar...". Sabia dessas coisas que a maioria sabe, mas facilmente recriminaria qualquer um desses ladrões. Depois desse pouco tempo minha opinião mudou... Certa vez pedimos pros meninos escrevem algumas cartas e também nas conversas com eles, percebemos que a grande maioria foi praticamente "criado pra ser um infrator", devido à família desestruturada, pobreza, falta de oportunidades, preconceitos da sociedade, etc. Essa miséria do coração deles é fácil de encontrar quando coloco sobre eles um olhar de miserícórdia. E quando tenho compaixão, penso que talvez na situação deles eu faria o mesmo!
O Reino de Deus foi comparado por Jesus à duas coisas pequenas: a semente de mostarda, bem pequenininha mas que depois se torna a maior das hortaliças; e o fermento, basta um pouco pra fazer crescer toda a massa! Ver situações onde a miséria humana reina, precisa nos tirar do comodismo pra fazer alguma coisa. Ainda que seja pouco! Hoje é pouco, amanhã será grande! O menor infrator recuperado hoje é uma pessoa de bem e do bem na sociedade amanhã. Um preso em condições humanas hoje, será uma pessoa recuperada após cumprir sua pena.
Procure a pastoral carcerária ou pastoral do menor da sua cidade.
Uma amiga da IDE, Taís Sene, me ensinou algo incrível:
"Existem momentos em que aquele Jesus encarcerado e condenado tem mais a nos ensinar do que aquele Jesus glorificado que encontramos na Igreja".
http://www.youtube.com/watch?v=L0LXLUPOAOk
Aprendi uma coisa!
Quero partilhar aqui duas experiências muito parecidas que vivi, ou posso dizer, estou vivendo...
Desde 2003 eu moro em São José dos Campos/SP, mas ano passado, eu estava precisando desesperadamente de um emprego, consegui algo na cidade de Santos/SP e acabei me mudando pra lá [pra quem não sabia: eu trabalho como qualquer um rsrsrsrs, não me dedico somente ao ministério...]. Talvez os meus amigos que moram na baixada santista nem saibam das coisas que vou dizer aqui, mas ter ido pra lá foi uma solução que EU arrumei pra minha falta de trabalho. Confiei tanto que fui de “mala e cuia”, me mudei pra lá. Tive muitas coisas boas que vivi e aprendi nesse tempo e principalmente os novos amigos que fiz, mas foram as coisas mais difíceis que me ensinaram mais. Fiquei doente por diversas vezes enquanto estive lá. Minha rotina de trabalho era um tanto quanto exaustiva. Foi um período, eu diria, em que perdi a amizade de Deus... O tempo passou, entendi muitas coisas, mudei minha oração, até que no final de 2011 Deus me ajudou como um pai que ajuda o filho que se meteu numa enrascada, e eu voltei pra São José dos Campos.
O tempo continuou passando, e antes que eu precisasse abrir minha boca pra pedir um novo emprego, Deus “arrumou” um trabalho pra mim e por conta desse novo emprego que comecei faz um mês, vou ficar mais tempo fora de São José dos Campos do que imaginava.
Enquanto escrevo essas linhas, já faz duas semanas que estou fora de casa, longe de tudo e de todos, como no ano passado. Mas a sensação é tão diferente! Como é reconfortante saber que Deus cuida de todas as coisas. Como é bom provar que isso é verdade! Ele tem cuidado de mim...(I Pedro 5, 7) E seu eu ficar doente? E se horas exaustivas de trabalho vierem de novo?
Como dizem muito aqui na Bahia: “Fique tranquiiiiiiiiiiilo!!!”
Dessa vez eu sei em quem tenho colocado minha fé (II Timóteo 1, 12). Ainda que algumas situações mais complicadas aconteçam, dessa vez é a mão do Senhor que me trouxe aqui, não a minha! Graças a Deus!
Um xêru!
Gil Monteiro
Missão IDE
A cruz e a redenção
Existem vários tipos de sofrimentos sobre a face da terra, quero refletir sobre dois: o sofrimento redentor e aquele que é fruto da injustiça.
O sofrer se torna redentor quando assumo as dores, incômodos e responsabilidades de outra pessoa. Por isso se diz que Cristo nos deu a redenção, por isso ele é o “Cristo redentor”, porque sofreu por nós, assumiu nossas dores e foi para a cruz em nosso lugar. O sofrer que vem da injustiça é quando alguém padece de algum mal ou consequências que não merece, sem motivos…
Dois mil anos depois do sofrimento redentor de Jesus, algo persiste daquela cena: a cruz. Todos os dias, várias pessoas são colocadas nela e recebem um sofrimento que vem da injustiça. Cristo já morreu uma vez, redimindo tudo e todos, mas a obra da redenção continua. A cruz ficou vazia e alguém tem que ocupar esse lugar. Nessa hora é que vemos Cristo atualizado, quando alguns redentores dos nossos dias se levantam pra assumir um sofrimento que não é seu a fim de que a injustiça não leve inocentes para a cruz do cotidiano.
Quando me digo cristão me proponho a ser um novo Cristo sobre a face da terra. Assumo a condição de ser um novo redentor tomando uma cruz, a minha cruz. Muito já se ouviu dizer que “tomar a minha cruz e seguir” é continuar junto de Deus com meus sofrimentos... O tempo me ensinou que isso é correto, mas olhar somente assim é um pouco egoísta! Cristãos precisam assumir uma cruz para serem redentores!
Quem irá redimir os muitos fetos que hoje são abortados clandestinamente (e em breve legalmente, ao que parece)? Quem irá redimir os idosos abandonados? Quem irá tomar a cruz de grupos sociais que sofrem por injustiça (pobres, doentes, deficientes, índios, presos)? Falar, orar, verbos “passivos”... São importantes, mas se tornam baratos quando meu enredo só conta com eles. Redenção, sofrer em lugar... Isso custa, às vezes até mesmo a própria vida. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus irmãos” (João 15, 13).
Que a cruz da Jornada Mundial da Juventude que cruza o Brasil nos inspire na obra de redenção que continua até os dias de hoje, e depende de nós.
Gil Monteiro
Missão IDE
Cantos e encantos
Era mês de janeiro desse ano quando a Mary, que produziu o meu CD [Amanheceu], me ligou fazendo um convite que eu nunca havia imaginado receber: fazer participação num CD infantil, no projeto Cantos e Encantos. Começamos pouco depois do Carnaval e essa semana os primeiros CD’s já estão prontos. É uma coleção de 4 CD’s com cantigas de rodas conhecinhas por todos e algumas das mais clássicas histórias infantis. O diferencial desse trabalho está no fato de que em quase todas as canções e historinhas, há uma pequena adaptação pra colocar o nome da criança que vai receber a coleção. Todos os volumes são personalizados com o nome dos baixinhos!
Fiquei interessado nisso e pesquisei um pouco em como a música pode ajudar no desenvolvimento e na educação dos pequenos. Se você tiver tempo, recomendo esse texto, é um pouco longo, mas vale muito a pena saber o que a música pode contribuir pra criançada: http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte03/musicoterapia.htm
Obrigado à Mary por ter me colocado nesse projeto, à Cris pela técnica total e pelas “calotas voadoras” e ao Vagner, idealizador do projeto!
Quem quiser conhecer mais, entre em contato com essa galera:
Cris: (12) 9141 3094 cantoseencantossjc@gmail.com
Gil Monteiro
Missão IDE
Lugar diferente, mesma mensagem
Chegamos em Montevidéo, capital do Uruguai, dia 15 de abril. A princípio somente eu e o Nando Mendes, os meninos da banda chegam depois. Vamos cantar e pregar em algumas missas, grupos de oração, divulgações em rádios e outras coisas... Mas tão importante quanto tudo que estamos fazendo é aprender um pouco da cultura e do pensamento dos uruguaios pra entender que obra Deus quer fazer nesse país. Um fato interessante, por exemplo, foi o final da ditadura militar, quando os militares entraram em acordo para a transição de um novo governo. Anos depois o governo fez plebiscitos para verificar se o povo gostaria que os crimes da ditadura fossem julgados. Por duas vezes o povo votou que não! Sinal de perdão? Um amigo uruguaio que nos trouxe para essa missão disse que não. Essa resposta é muito mais um sinal de indiferença do povo em relação a algo que ficou no passado, tanto é verdade que das instituições menos apreciadas pelos uruguaios, a polícia está em primeiro lugar, porque trazem recordações dos sofrimentos da ditadura. Em segundo lugar está a igreja, e aqui se entenda o cristianismo como um todo, católicos e evangélicos, o Uruguai se considera um país totalmente laico. Em terceiro, os políticos. O povo tem mais fé na política do que nos pastores e padres…
Lendo até aqui, o texto soa um tanto quanto pessimista, então preciso ressaltar que aqui o povo tem seu coração e pensamento aberto a uma mensagem nova. Demonstram um carinho imenso uns pelos outros e acolhem muito bem quem vem de fora. O sofrimento sempre causa cicatrizes, e elas tomam o significado que escolhemos. Para alguns, essas marcas se tornam lembranças que são superadas pelo amor. Para outros, lembranças que não se superam, porque se vive o contrário do amor, a indiferença. O acolhimento sem distinção, a abertura à mudanças e “a menor intenção de ser melhor”, tudo isso já é amor. Vamos rezar pelo Uruguai para que se torne um país cada vez mais comprometido com o amor, para que possa mudar sua indiferença em relação ao seu passado e ao seu presente. Mudar a indiferença para misericórdia, fruto da justiça diante do amor.
Dios bendiga a todos.
Un abrazo,
Gil Monteiro
Missão IDE
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